Na revista Exame de 4 de fevereiro
de 2015, foi falado sobre a geração de 13,4 milhões de empregos formais em dez
anos. No entanto, com o término dessa Era, a situação ficou um pouco sombria
demais. No dia 23 de janeiro, foi divulgado que, no ano de 2014, foram gerados
somente 150.000 postos formais. Isso está bem abaixo do contingente de 800.000
jovens que ingressam no mercado de trabalho todo o ano. A pífia geração de
emprego não protegerá o Brasil da crise internacional. Isso, claro, penaliza a
classe trabalhadora, ampliando a miséria e a marginalização. No passado, quando
a economia ficava estagnada e o desemprego, paradoxalmente, diminuía,
compreendia-se que isso ocorria devido ao fato de muitas pessoas pararem de
procurar emprego pra usufruir de políticas sociais ou pelo fato da demanda do
mercado não aproveitar as competências lapidadas pela escolarização. Economistas
advertem que a tecnologia pode agravar mais a situação. Ganhos de produtividade
funcionam como a mola propulsora de qualquer economia e, por isso, mesmo, urge
a necessidade de pensarmos em alternativas para conciliar o trabalho humano com
a técnica. Em épocas anteriores, houve equilíbrio entre expansão das áreas de
serviço e a diminuição da indústria na composição do mercado de trabalho.
Porém, a digitalização da economia ameaça expulsar o trabalhador do setor de
serviços, também. A profissão vira um sofware. Essa transformação implica em
uma polarização social no mercado de trabalho. Ou seja, a remuneração e o
número de vagas crescem nos dois extremos do mercado laboral. No topo, onde
estão as funções que envolvem criatividade e capacidade de solucionar
problemas, como engenheiro e cientistas, não corre o risco de ser substituído
pela máquina. Na outra ponta, há trabalhadores manuais sem qualificações que,
também, não sofrem com o perigo da automação. As ocupações que exigem formação
mais razoável, como o ensino médio, sofreram com o avanço da tecnologia. Para o
economista Jeremy Rifkin, no livro “A sociedade do custo marginal zero” citado
pela Exame, o aumento da técnica implica na diminuição dos custos marginais,
aproximando-os a zero. É a economia da abundância. Nessa nova economia, os
interesses da sociedade irão prevalecer sobre o mercado e o Estado, onde
cooperativas, associações e organizações sem fins lucrativos irão nortear a
gestão das riquezas e da coisa pública em nome do bem comum. A educação precisa
se adaptar a esse mundo em mutação. O ensino chinês foca muito em competências
cognitivas, lógica e resultados mensuráveis em notas. Inovações curriculares
pretendem flexibilizar o modelo, permitindo o florescer da criatividade,
competências não cognitivas e sociabilidade, além do estímulo a parte
tradicional do currículo. Como exemplo inovador, cito a organização educacional
de ensino complementar Quíron que oferece projetos como “Formação Jovens
protagonistas”, “Formação despertando potenciais” e “Formação professores
transformadores”, todos alinhados com a educação para o protagonismo. O foco
dos projetos está na identificação de planos, sonhos e aptidões, bem como os
meios necessários para executar um plano de carreira alinhado com as necessidades
do mercado. No entanto, é preciso que a ambição de galgar degraus mais altos no
trabalho seja institucionalizada. A construção de redes de contatos oriundos da
aproximação do alunado com o mercado visa ampliar o leque das opções, além de
possibilitar o ingresso do adolescente na função correta. Isso passa,
necessariamente, pela avaliação das oportunidades de emprego em cada região, a
aglutinação dos saberes construídos mediante aula convencional e o conhecimento
sensível interiorizado pelo contato com a profissão. E eu posso fornecer, para
a Quíron, estudos científicos referentes ao marxismo enquanto categoria de análise
para destrinchar o movimento do capital, a concentração de renda, o
alavancamento das forças produtivas, a mitigação do desemprego e a crescente
economia social como meio para se colocar as necessidades humanas acima das
gulodices desenfreadas do neoliberalismo ou a ineficiência da estatização nos
moldes do modelo soviético, alinhando políticas de geração de emprego com a
escolarização do século 21.
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