terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A educação garante empregabilidade?


            Na revista Exame de 4 de fevereiro de 2015, foi falado sobre a geração de 13,4 milhões de empregos formais em dez anos. No entanto, com o término dessa Era, a situação ficou um pouco sombria demais. No dia 23 de janeiro, foi divulgado que, no ano de 2014, foram gerados somente 150.000 postos formais. Isso está bem abaixo do contingente de 800.000 jovens que ingressam no mercado de trabalho todo o ano. A pífia geração de emprego não protegerá o Brasil da crise internacional. Isso, claro, penaliza a classe trabalhadora, ampliando a miséria e a marginalização. No passado, quando a economia ficava estagnada e o desemprego, paradoxalmente, diminuía, compreendia-se que isso ocorria devido ao fato de muitas pessoas pararem de procurar emprego pra usufruir de políticas sociais ou pelo fato da demanda do mercado não aproveitar as competências lapidadas pela escolarização. Economistas advertem que a tecnologia pode agravar mais a situação. Ganhos de produtividade funcionam como a mola propulsora de qualquer economia e, por isso, mesmo, urge a necessidade de pensarmos em alternativas para conciliar o trabalho humano com a técnica. Em épocas anteriores, houve equilíbrio entre expansão das áreas de serviço e a diminuição da indústria na composição do mercado de trabalho. Porém, a digitalização da economia ameaça expulsar o trabalhador do setor de serviços, também. A profissão vira um sofware. Essa transformação implica em uma polarização social no mercado de trabalho. Ou seja, a remuneração e o número de vagas crescem nos dois extremos do mercado laboral. No topo, onde estão as funções que envolvem criatividade e capacidade de solucionar problemas, como engenheiro e cientistas, não corre o risco de ser substituído pela máquina. Na outra ponta, há trabalhadores manuais sem qualificações que, também, não sofrem com o perigo da automação. As ocupações que exigem formação mais razoável, como o ensino médio, sofreram com o avanço da tecnologia. Para o economista Jeremy Rifkin, no livro “A sociedade do custo marginal zero” citado pela Exame, o aumento da técnica implica na diminuição dos custos marginais, aproximando-os a zero. É a economia da abundância. Nessa nova economia, os interesses da sociedade irão prevalecer sobre o mercado e o Estado, onde cooperativas, associações e organizações sem fins lucrativos irão nortear a gestão das riquezas e da coisa pública em nome do bem comum. A educação precisa se adaptar a esse mundo em mutação. O ensino chinês foca muito em competências cognitivas, lógica e resultados mensuráveis em notas. Inovações curriculares pretendem flexibilizar o modelo, permitindo o florescer da criatividade, competências não cognitivas e sociabilidade, além do estímulo a parte tradicional do currículo. Como exemplo inovador, cito a organização educacional de ensino complementar Quíron que oferece projetos como “Formação Jovens protagonistas”, “Formação despertando potenciais” e “Formação professores transformadores”, todos alinhados com a educação para o protagonismo. O foco dos projetos está na identificação de planos, sonhos e aptidões, bem como os meios necessários para executar um plano de carreira alinhado com as necessidades do mercado. No entanto, é preciso que a ambição de galgar degraus mais altos no trabalho seja institucionalizada. A construção de redes de contatos oriundos da aproximação do alunado com o mercado visa ampliar o leque das opções, além de possibilitar o ingresso do adolescente na função correta. Isso passa, necessariamente, pela avaliação das oportunidades de emprego em cada região, a aglutinação dos saberes construídos mediante aula convencional e o conhecimento sensível interiorizado pelo contato com a profissão. E eu posso fornecer, para a Quíron, estudos científicos referentes ao marxismo enquanto categoria de análise para destrinchar o movimento do capital, a concentração de renda, o alavancamento das forças produtivas, a mitigação do desemprego e a crescente economia social como meio para se colocar as necessidades humanas acima das gulodices desenfreadas do neoliberalismo ou a ineficiência da estatização nos moldes do modelo soviético, alinhando políticas de geração de emprego com a escolarização do século 21.        


http://www.quironeducacao.com.br/projetos/

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