domingo, 22 de fevereiro de 2015

Para minha amiga Amanda Tiedt:



O projeto “Nossas Cidades – Blumenau” conseguiu captar financiamento para a execução. Trata-se de uma iniciativa que mobilizará diversos setores da sociedade, Estados, empresas e profissionais, para atender as demandas urbanas. Através de pressão política e ações comunitárias, a cidade de Blumenau tenderá a ser tornar mais inclusiva, com melhor mobilidade urbana, cidadãos politizados, redução da criminalidade, gestão de resíduos, esgotamento sanitário, políticas públicas, eficiência no sistema escolar e demais aspectos essenciais para o convívio harmonioso. Amanda é arquiteta e trará soluções inovadoras para o caos urbano que se instaurou em Blumenau. No entanto, o que eu, Felipe Gruetzmacher, pode contribuir com essa iniciativa? Estudo o livro “Serviço social em tempo de capital fetiche: trabalho e questão social” e, de lá, tirei algumas conclusões que se aplicam no caso da organização “Nossas Cidades”. Vendemos nosso trabalho por um salário. Compramos produtos feitos pelo trabalho dos outros com o nosso salário. Em síntese: permutamos trabalhos metamorfoseados em mercadorias. São relações sociais “coisificadas”. Acontece que o assalariamento impõe constrangimentos ao trabalho. Veja por exemplo o caso do assistente social: muitas vezes, a política pública funciona mais como uma espécie de assistencialismo, um controle da pobreza, administração das misérias, ao invés de se articular num projeto mais amplo de emancipação do povo e democratização dos direitos sociais. Empregado pelo Estado que administra os negócios dos poderosos, o assistente social vê se “fossilizado” numa função burocrática, rotineira e perde sua identidade como promotor dos direitos sociais. O trabalho assalariado é, intrinsecamente, negador de autonomia, repressor de energias criativas. Já o trabalho enquanto práxis, teoria que move a ação, é libertação, meio percorrido pelo homem singular para atingir a plenitude, o usufruto de atividades prazerosas, lazer, artes, gozo e contentamento. Uma vez que se opta conscientemente por um trabalho, sem os constrangimentos salariais, o trabalhador eleva-se para a natureza humana genérica. Assim, pode-se fazer ciência, produzir criações artísticas, filosofar, fazer política, porque tudo está incluso na generalidade humana embutida no trabalho consciente e não no trabalho alienado e assalariado. O palco político em Brasília não é dos melhores, ainda mais com o escândalo da Petrobrás e a gestão presidencial vergonhosa da nossa Dilma, mas, ainda acredito na esquerda e no movimento dos trabalhadores. Sou apartidário. Não defendo nem Dilma e nem Aécio. Defendo sim, o estudo sistemático da filosofia para compreender as relações mediadas pelas coisas para tornar, o trabalho, o veículo de satisfação humana. E as “Nossas Cidades” é o movimento social ideal para se acionar toda energia social contidas nos corações dos ativistas comprometidos com o melhoramento das Cidades. O trabalho vira práxis, ajuda humanitária às Cidades, possibilidade concreta de auxílio, sem qualquer constrangimento do assalariamento ou do fetichismo da mercadoria.     

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