No dia 10 de fevereiro de 2015, estava eu, Felipe Gruetzmacher, no bar Factory, em Blumenau, prestigiando o evento 8º Startup Chopp para empreendedores. Conheci amigos como Carla, Franky, Richard e Tatiana. A palestrante Priscilla Albuquerque da Catarina Design de Interação falou sobre o tema “Cocriando produtos e serviços com valor real para as pessoas”. O conceito central das palavras dela é a cocriação, ou melhor, compreender e perceber as necessidades e desejos das pessoas para criar um produto ou serviço. Deve-se partir, nunca do gabinete, mas, da realidade concreta, trabalhar juntamente com o usuário do serviço ou produto na procura de soluções. A partir daí, percebi que mudei e muito minha forma de pensar. Vim de uma cultura acadêmica, livresca, divorciada da realidade, porque conhecia a realidade apenas através das minhas teorias, pesquisas e análises científicas. Estudava conteúdos da faculdade e esquecia da experiência sensível. Agora, está emergindo um novo paradigma, bem como estou tornando-me pessoa mais pragmática, com visão empresarial, sensível às necessidades das pessoas ao meu redor. No decorrer do encontro, foi falado de um projeto para transformar Itoupava Central num pólo de inovações ao conciliar sustentabilidade empresarial com a qualidade de vida. Para isso, é lógico, é preciso perceber o que os consumidores querem, precisam ou desejam. Todavia, conservo, ainda, um lado teórico que, aliado ao pragmatismo, pode tecer recomendações aos empresários que conheci. Faço uma comparação entre o dito da palestra e as informações do artigo acadêmico: “A práxis do trabalho associado: da economia solidária para a perspectiva da solidariedade orgânica e autogestão societal” escrito por Édi Augusto Benini, Gabriel Gualhanone Nemirovsky e Elcio Gustavo Benini. No trabalho acadêmico, fala-se que a economia solidária pode constituir-se num sistema orgânico do trabalho de modo a subverter as mediações alienantes do capital. Primeiramente, sabe-se que economia solidária é um movimento que busca colocar as necessidades humanas acima da busca pelo lucro, materializado em cooperativas populares, fábricas recuperadas, grupos de troca e bancos sociais. O trabalho, na sociedade do capital, vale tanto quando uma mercadoria: pode-se comprar trabalho mediante um salário. Economia solidária é uma tentativa de desmercantilizar o trabalho tendo como base a autogestão dos produtores associados. Caso contrário, o trabalho continua a ser fator de produção, trabalho assalariado produtor de mercadorias efetuado para viabilizar valores de troca, feitos para a acumulação capitalista, ao invés de valores de uso para a satisfação de necessidades humanas por meio da produção. Deve-se, por meio da prática autogestionária, criar novas instituições, que possam adensar trabalho, trabalhadores e processos produtivos num mesmo sistema orgânico comunal e progressivamente global., rompendo com qualquer controle hierárquico do capital sobre o trabalho, ou, em termos mais claros, revertendo o poder do patrão sobre o trabalhador. Se o trabalho é a mediação fundamental da relação homem e natureza, mediação de primeiro grau, há mediações de segunda ordem constituintes do capital, a saber:
a) A propriedade privada dos meios de produção;
b) Intercâmbio mercantil;
c) A divisão social e hierárquica do trabalho;
Ou seja, a tendência à acumulação de capital em detrimento da satisfação das necessidades humanas é mantida graças às mediações de segunda ordem, o que implica no enriquecimento de poucos e na pobreza de muitos. Reverter isso significa criar mediações fundamentais correspondentes:
a) Propriedade Orgânica, anulando a propriedade privada;
b) Renda Sistêmica, anulando o intercâmbio mercantil;
c) Autogestão e auto-organização, anulando a divisão social e hierárquica.
O sistema orgânico do trabalho surge de uma inflexão dentro do capital, começando com uma determinada região e se espalha por todo o globo, num movimento sustentável. Aglutina-se instituições e organizações dessa nova sustentabilidade, com eixos produtivos básicos para as necessidades materiais desse novo sistema. Com um novo histórico de fundação, para mediar a propriedade orgânica, pode-se então utilizar tal instituição para anular a propriedade privada dos meios de produção (mediação de segundo grau do capital), abrigando o conjunto ou base patrimonial do Sistema Orgânico do Trabalho (SOT), edificações, máquinas e equipamentos e outros meios de produção, base fundiária ou territorial, entre outros, em uma nova fundação que aqui denominamos de Fundação Estruturante Anti-Propriedade. O estatuto da fundação estruturante Anti-Propriedade determina, de forma constitutiva, que o fluxo financeiro é doado ou pertente à caixa de mediação financeira, viabilizando a mediação da renda sistêmica, uma cooperativa de crédito. As unidades de produção passariam a condição de eixos produtivos, num planejamento integrado numa perspectiva global aliada a uma autogestão societal. O bairro de Itoupava seca pode ser o primeiro ponto onde se pratica uma autogestão regional inovadora, articulando diversas unidades produtivas, até criar uma dinâmica interna sustentável e romper a ordem do capital ao redor do globo.
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