sábado, 7 de fevereiro de 2015

Síntese do artigo Trabalho: a categoria-chave da sociologia?




Claus Offe, no artigo “Trabalho: a categoria-chave da sociologia?”, afirma que toda a sociedade está compelida a trabalhar, porque o trabalho é o intercâmbio entre humanidade e natureza. Entre o final do século XVIII e o final da I Guerra Mundial, a sociologia atribuiu posição-chave ao trabalho na sociedade. Já no século XIX, houve a separação do trabalho das demais atividades e esferas sociais. Personifica-se o trabalho na categoria do “trabalhador”, separa-se a esfera doméstica e a esfera de produção, ocorre à cisão entre propriedade privada e trabalho assalariado, assim como a neutralização gradual das obrigações normativas em que o trabalho tinha sido anteriormente encerrado. Outras palavras, o trabalho vira coação estrutural. E é precisamente este abrangente poder de determinação do fato social do trabalho (assalariado), e suas contradições, que hoje se tornou sociologicamente questionável. Muitas pesquisas sociais demonstram que as experiências e os conflitos engendrados pelo trabalho são encarados como uma conseqüência de interpretações obtidas fora do trabalho. Nota-se o interesse da pesquisa em relação às atividades que se situam fora do domínio do trabalho - como família, papéis sexuais, saúde, comportamento "desviante", interação entre a administração pública e sua clientela etc. A teoria crítica contemporânea costuma dar mais valor à pesquisa em favor da vida cotidiana, enquanto os cientistas sociais conservadores ainda estão imersos no paradigma centrado no trabalho. Mas, de fato, pode-se notar a perda da centralidade do trabalho no estudo sociológico? Claus Offe afirma que sim. Em primeiro lugar porque o crescente setor de serviços é presidido por uma racionalidade assas diferente do que o trabalho industrial. Isso enfraquece toda a lógica que normatiza a sociedade do trabalho convencional. As recentes formas de gestão do processo produtivo tendem a eliminar o fator humano, o que contribui em desestruturar a ética centrada no trabalho e o compromisso moral de trabalhar. Interesses diversos e o desemprego, também, contribuem para descentralizar o trabalho na vida das pessoas. Passado de certo ponto, o consumo de bens materiais tende a beneficiar menos uma pessoa do que atividades intrinsecamente relaxantes, o que diminui a certeza de que salário bom compra felicidade. Claus Offe cita o autor Habermas para descrever uma nova categoria que substituí o trabalho na pesquisa sociológica. Esse novo paradigma é estruturado na dicotomia entre dinheiro e poder de um lado, e vida cotidiana de outro. Opta-se por modos de vida ao invés de modos de produção. Estão em voga temas de conflito social e político como paz e desarmamento, proteção ambiental, definição e institucionalização dos papéis sexuais, direitos civis e direitos humanos. São estruturas de conflito fundadas na dicotomia entre sociedade industrial e pós-industrial, além de serem confrontadas pelo capital e pelo próprio trabalho. 

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