Síntese do artigo Trabalho: a categoria-chave da sociologia?
Claus Offe, no artigo “Trabalho: a categoria-chave da sociologia?”, afirma que toda a sociedade
está compelida a trabalhar, porque o trabalho é o intercâmbio entre humanidade
e natureza. Entre o final do século XVIII e o final da I Guerra Mundial, a
sociologia atribuiu posição-chave ao trabalho na sociedade. Já no século XIX,
houve a separação do trabalho das demais atividades e esferas sociais. Personifica-se o trabalho na categoria do
“trabalhador”, separa-se a esfera doméstica e a esfera de produção, ocorre à
cisão entre propriedade privada e trabalho assalariado, assim como a
neutralização gradual das obrigações normativas em que o trabalho tinha sido
anteriormente encerrado. Outras palavras, o trabalho vira coação estrutural. E
é precisamente este abrangente poder de determinação do fato social do trabalho
(assalariado), e suas contradições, que hoje se tornou sociologicamente
questionável. Muitas pesquisas sociais demonstram que as experiências e os
conflitos engendrados pelo trabalho são encarados como uma conseqüência de
interpretações obtidas fora do trabalho. Nota-se o interesse da
pesquisa em relação às atividades que se situam fora do domínio do trabalho
- como família, papéis sexuais, saúde, comportamento
"desviante", interação entre a administração pública e sua clientela
etc. A teoria crítica contemporânea costuma dar mais valor à pesquisa
em favor da vida cotidiana, enquanto os cientistas sociais conservadores ainda
estão imersos no paradigma centrado no trabalho. Mas, de fato, pode-se notar a
perda da centralidade do trabalho no estudo sociológico? Claus Offe afirma que
sim. Em primeiro lugar porque o crescente setor de serviços é presidido por uma
racionalidade assas diferente do que o trabalho industrial. Isso enfraquece
toda a lógica que normatiza a sociedade do trabalho convencional. As recentes
formas de gestão do processo produtivo tendem a eliminar o fator humano, o que
contribui em desestruturar a ética centrada no trabalho e o compromisso moral
de trabalhar. Interesses diversos e o desemprego, também, contribuem para
descentralizar o trabalho na vida das pessoas. Passado de certo ponto, o
consumo de bens materiais tende a beneficiar menos uma pessoa do que atividades
intrinsecamente relaxantes, o que diminui a certeza de que salário bom compra
felicidade. Claus Offe cita o autor Habermas para descrever uma nova categoria
que substituí o trabalho na pesquisa sociológica. Esse novo paradigma é
estruturado na dicotomia entre dinheiro e poder de um lado, e vida cotidiana de
outro. Opta-se por modos de vida ao invés de modos de produção. Estão em voga
temas de conflito social e político como paz e desarmamento, proteção
ambiental, definição e institucionalização dos papéis sexuais, direitos civis e
direitos humanos. São estruturas de conflito fundadas na dicotomia entre
sociedade industrial e pós-industrial, além de serem confrontadas pelo capital
e pelo próprio trabalho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário