quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Resenha do livro “Serviço social em tempo de capital fetiche: trabalho e questão social” – capítulo 2: Capital fetiche, questão social e serviço social:



O capítulo objetiva analisar os determinantes do capital financeiro, as determinações históricas que redimensionam a questão social na cena atual e no Brasil, bem como as estratégias do serviço social quanto ao enfrentamento a tudo isso na área das políticas governamentais. A globalização redefiniu a estrutura econômica no alvorecer do século 21. A sociedade global está sob a égide das grandes grupos industriais transnacionais articulados com o mundo das finanças. Opera-se com o capital fetiche apoiada na dívida pública e no mercado de ações. Daí, organismos multilaterais capturam os Estados nacionais e o espaço mundial, atribui um caráter cosmopolita à produção e consumo de todos os países, radicaliza o desenvolvimento desigual e combinado, estruturando a dependência entre nações. As condições históricas que presidiram a formação dos países são atualizadas pela inserção desses países periféricos na divisão internacional do trabalho, o que metamorfoseia a questão social. A financeirização é um modo de estruturação da economia mundial. Os mercados financeiros são apresentados como autônomos diante da sociedade, atuando mediante Estados nacionais sob a orientação dos organismos internacionais, porta-vozes do grande capital financeiro. Porém, as finanças nada criam, apenas, nutrem-se da riqueza criada pelo trabalho. O capital internacionalizado produz a polarização social, a qual é a base da questão social. Revigoram-se economias “informais” ao lado de formas especificamente capitalistas. Flexibilização das relações trabalhistas são a resposta para a intensificação da competição internacional e inter-regional. Essa mundialização do capital implica na reforma do Estado, reestruturação produtiva e as metamorfoses da questão social. A queda salarial, desemprego e a instabilidade trabalhista alteram a morfologia da força de trabalho, agora, constituída por mulheres, jovens, migrantes, minorias étnicas e raciais, todos os sujeitos ao trabalho instável. O aparato estatal gerencia tudo, administrando políticas contra as crises sistêmicas. As dívidas públicas e o mercado acionário das empresas, as bases da financeirização da economia existem devido à salvaguarda estatal e o suporte das políticas fiscais e monetárias. Eles propiciam a redução do padrão de vida do conjunto dos trabalhadores, por meio da a privatização do Estado, a perda de eficácia das políticas públicas e a mercantilização dos serviços, a chamada flexibilização dos custos empresariais para manter a lucratividade. No entanto, as economias canalizadas para as finanças acabam não sendo usadas na industrialização, gerando um impasse. Assim, a questão social está ancorada nas políticas governamentais favorecedoras da esfera financeira e do grande capital produtivo – das instituições e mercados financeiros e empresas multinacionais. Valoriza-se o capital fetiche, a reconfiguração da questão social. Nos anos últimos 20 anos, sob a égide do neoliberalismo, o crescimento do desemprego e o fraco desempenho na economia eram fatores ligados aos planos de estabilização da economia fracassados, entre os anos de 1980 e 1990, restrição de crédito associada à alta taxa de juros, o que inibiu investimentos na área produtiva. Outro fator foi à destruição de postos de trabalho devido à reestruturação produtiva, privatização e desnacionalização das empresas da década de 90. O trabalho do assistente social é decifrar as mediações nas quais se expressa a questão social para compreender as expressões da mesma, bem como formas de resistência ao capital. Os assistentes sociais mobilizam esforços na esfera pública, de modo a integrar os interesses das maiorias nas esferas de decisão política. O objetivo é a construção de uma “democracia de base” cujo fundamento é a ampliação da democracia representativa, o respeito pela universalidade dos direitos do cidadão, sustentados na socialização da política, da economia e da cultura.

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