O capítulo objetiva analisar os
determinantes do capital financeiro, as determinações
históricas que redimensionam a questão
social na cena atual e no Brasil, bem como as estratégias do serviço social
quanto ao enfrentamento a tudo isso na área das políticas governamentais. A globalização redefiniu a estrutura
econômica no alvorecer do século 21. A
sociedade global está sob a égide das grandes grupos industriais transnacionais
articulados com o mundo das finanças. Opera-se
com o capital fetiche apoiada na dívida pública e no mercado de ações. Daí,
organismos multilaterais capturam os Estados nacionais e o espaço mundial,
atribui um caráter cosmopolita à produção e consumo de todos os países,
radicaliza o desenvolvimento desigual e combinado, estruturando a dependência
entre nações. As condições
históricas que presidiram a formação dos países são atualizadas pela inserção
desses países periféricos na divisão internacional do trabalho, o que
metamorfoseia a questão social. A
financeirização é um modo de estruturação da economia mundial. Os mercados financeiros são apresentados
como autônomos diante da sociedade, atuando mediante Estados nacionais sob a
orientação dos organismos internacionais, porta-vozes do grande capital
financeiro. Porém, as finanças
nada criam, apenas, nutrem-se da riqueza criada pelo trabalho. O capital internacionalizado produz a
polarização social, a qual é a base da questão social. Revigoram-se economias “informais” ao
lado de formas especificamente capitalistas. Flexibilização das relações
trabalhistas são a resposta para a intensificação da competição internacional e
inter-regional. Essa
mundialização do capital implica na reforma do Estado, reestruturação produtiva
e as metamorfoses da questão social. A queda salarial, desemprego e a
instabilidade trabalhista alteram a morfologia da força de trabalho, agora,
constituída por mulheres, jovens, migrantes, minorias étnicas e raciais, todos
os sujeitos ao trabalho instável. O aparato estatal gerencia tudo,
administrando políticas contra as crises sistêmicas. As dívidas públicas e o
mercado acionário das empresas, as bases da financeirização da economia existem
devido à salvaguarda estatal e o
suporte das políticas fiscais e monetárias. Eles propiciam a redução do padrão
de vida do conjunto dos trabalhadores, por
meio da a privatização do Estado,
a perda de eficácia das políticas públicas e a mercantilização dos serviços, a
chamada flexibilização dos custos empresariais para manter a lucratividade. No
entanto, as economias canalizadas para as finanças acabam não sendo usadas na
industrialização, gerando um impasse. Assim, a questão social está ancorada nas
políticas governamentais favorecedoras da esfera financeira e do grande capital
produtivo – das instituições e mercados financeiros e empresas multinacionais.
Valoriza-se o capital fetiche, a
reconfiguração da questão social. Nos
anos últimos 20 anos, sob a égide do neoliberalismo, o crescimento do
desemprego e o fraco desempenho na economia eram fatores ligados aos planos de
estabilização da economia fracassados, entre os anos de 1980 e 1990, restrição
de crédito associada à alta taxa de juros, o que inibiu investimentos na área
produtiva. Outro fator foi à destruição de postos de trabalho devido à
reestruturação produtiva, privatização e desnacionalização das empresas da
década de 90. O
trabalho do assistente social é decifrar as mediações nas quais se expressa a
questão social para compreender as expressões da mesma, bem como formas de
resistência ao capital. Os
assistentes sociais mobilizam esforços na esfera pública, de modo a integrar os
interesses das maiorias nas esferas de decisão política. O objetivo é a
construção de uma “democracia de base” cujo fundamento é a ampliação da
democracia representativa, o respeito pela universalidade dos direitos do
cidadão, sustentados na socialização da política, da economia e da cultura.
muito boa sua resenha
ResponderExcluirmt bom!
ResponderExcluirBom dia ! Tem a resenha do capítulo IV ?
ResponderExcluirmuito boa
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