Ricardo Antunes nega que o trabalho perdeu sua centralidade
na vida das pessoas, mesmo nesse cenário de retirada de direitos trabalhistas,
desemprego estrutural e trabalho precarizado. No entanto, o que urge negar,
também, é o trabalho que aliena, explora e proporciona fadiga. Enquanto o
trabalho vivo produz valor de uso (produto utilizável), o trabalho morto produz
valor de troca (criação de mercadorias), mas, o processo de acumulação de
capital não pode eliminar do trabalho vivo, mesmo aumentando o trabalho morto cristalizado
na produção de mercadoria via tecnologia. Com a redução do tempo do trabalho
vivo para economizar o pagamento do salário, o corolário que se segue é o
desemprego estrutural e a precarização do trabalho. Atribuir um sentido e
autonomia ao trabalho, recuperar a vocação ontológica e torná-lo agradável de
ser feito é o desafio da classe trabalhadora. O autor coloca que modelos novos
de gestão empresarial como a empresa enxuta e a crise do capital, ocorrem à
redução do proletariado fabril estável, incremento do subproletariado fabril e
do setor de serviços, significativo aumento da possibilidade de sindicalismo no
setor de serviços, exclusão de jovens e idosos do campo de trabalho, trabalho
infantil, precarização do trabalho feminino, ampliação do terceiro setor, do
trabalho feito a domicílio e internacionalização do mundo do trabalho. Há, de
um lado, o trabalhador “polivalente e multifuncional” da era informacional e,
do outro, o trabalhador que sofre com as agruras do ativamente dos efeitos
perniciosos da crise do capital. Essa dualidade é, na opinião de Antunes,
diferente de decretar o fim da centralidade da sociedade do trabalho.
A crescente informatização do trabalho conduz à ampliação da
esfera intelectual do trabalho, tornando inautêntica e heterodeterminada a
subjetividade do trabalhador. Antunes, também, critica Gorz quando este último
acredita ser a técnica a principal força produtiva. Para Antunes, a redução do
custo de força de trabalho vivo expressa a expansão das múltiplas formas de
exploração do trabalho, inclusive, a exploração sobre o trabalho intelectual. Uma
vida cheia de sentido dentro e fora do trabalho emancipada pelo trabalho
enquanto atividade vital livre de qualquer estrutura hierárquica e pelo
desfrute do ócio possibilitará a libertação do ser humano. No entanto, todos os
partidos políticos de esquerda passaram a sofrer com o desgaste do tempo. O
capital, o processo de acumulação do dinheiro, possibilita que o trabalhador
seja explorado. Daí, isso é legalizado e institucionalizado pelo Estado e o
capital controla toda a vida fora do parlamento na esfera econômica. O partido
de esquerda que fará frente ao capital precisa dialogar com as massas populares
e os movimentos sociais. A emancipação do trabalho precisa ocorrer dentro e
fora do parlamento, noutras palavras, na vida.
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