segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Síntese do livro “O caracol e sua Concha”:



Ricardo Antunes nega que o trabalho perdeu sua centralidade na vida das pessoas, mesmo nesse cenário de retirada de direitos trabalhistas, desemprego estrutural e trabalho precarizado. No entanto, o que urge negar, também, é o trabalho que aliena, explora e proporciona fadiga. Enquanto o trabalho vivo produz valor de uso (produto utilizável), o trabalho morto produz valor de troca (criação de mercadorias), mas, o processo de acumulação de capital não pode eliminar do trabalho vivo, mesmo aumentando o trabalho morto cristalizado na produção de mercadoria via tecnologia. Com a redução do tempo do trabalho vivo para economizar o pagamento do salário, o corolário que se segue é o desemprego estrutural e a precarização do trabalho. Atribuir um sentido e autonomia ao trabalho, recuperar a vocação ontológica e torná-lo agradável de ser feito é o desafio da classe trabalhadora. O autor coloca que modelos novos de gestão empresarial como a empresa enxuta e a crise do capital, ocorrem à redução do proletariado fabril estável, incremento do subproletariado fabril e do setor de serviços, significativo aumento da possibilidade de sindicalismo no setor de serviços, exclusão de jovens e idosos do campo de trabalho, trabalho infantil, precarização do trabalho feminino, ampliação do terceiro setor, do trabalho feito a domicílio e internacionalização do mundo do trabalho. Há, de um lado, o trabalhador “polivalente e multifuncional” da era informacional e, do outro, o trabalhador que sofre com as agruras do ativamente dos efeitos perniciosos da crise do capital. Essa dualidade é, na opinião de Antunes, diferente de decretar o fim da centralidade da sociedade do trabalho.

A crescente informatização do trabalho conduz à ampliação da esfera intelectual do trabalho, tornando inautêntica e heterodeterminada a subjetividade do trabalhador. Antunes, também, critica Gorz quando este último acredita ser a técnica a principal força produtiva. Para Antunes, a redução do custo de força de trabalho vivo expressa a expansão das múltiplas formas de exploração do trabalho, inclusive, a exploração sobre o trabalho intelectual. Uma vida cheia de sentido dentro e fora do trabalho emancipada pelo trabalho enquanto atividade vital livre de qualquer estrutura hierárquica e pelo desfrute do ócio possibilitará a libertação do ser humano. No entanto, todos os partidos políticos de esquerda passaram a sofrer com o desgaste do tempo. O capital, o processo de acumulação do dinheiro, possibilita que o trabalhador seja explorado. Daí, isso é legalizado e institucionalizado pelo Estado e o capital controla toda a vida fora do parlamento na esfera econômica. O partido de esquerda que fará frente ao capital precisa dialogar com as massas populares e os movimentos sociais. A emancipação do trabalho precisa ocorrer dentro e fora do parlamento, noutras palavras, na vida.  

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