Na edição da revista Veja de 18 de
fevereiro de 2015, fala-se do escândalo ocorrido no banco HSBC devido ao fato
do mesmo ser alvo de denúncias de evasão fiscal. Ainda, a situação se agravou
quando foi notificado que a filial na Suíça abrigou contas de ditadores e
traficantes, ajudando a financiar, indiretamente, o terrorismo internacional e
crimes como a lavagem de dinheiro. A investigação, Swiss Leaks, protagonizada
por jornalistas, veio à tona após o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ na sigla em inglês), junto ao
jornal francês Le Monde, ter
conseguido dados de contas numeradas de 106 mil clientes de 203 países entre
1988 e 2007. O depósito chega a 180 bilhões de dólares. A frouxidão das leis
fiscais suíças possibilitou a apuração dos jornalistas, pois eles descobriram
que o banco oferecia serviços para ajudar seus clientes e driblar tributações
sobre suas contas bancárias. As informações foram passadas aos
jornalistas por autoridades francesas, que as receberam, no ano de 2008, a
partir de um ex-funcionário do HSBC, Hérve Falciani. Gerentes aproveitavam brechas na
legislação para aconselhar clientes a evitar o pagamento de taxas sobre contas
bancárias, obrigação que vigora na União Européia desde 2005. A análise sobre a crise no banco feita
pela Veja é parcial, expõe somente uma versão dos fatos. Explico: O que
“arruma” o cenário propício para a evasão fiscal é o monopólio dos bancos sobre
a vida social. Toda a sociedade está submetida à economia política e a
especulação financeira. Senão, vejamos, pegando o exemplo do Brasil: Superávit
primário é a diferença positiva entre a arrecadação tributária e as despesas
principais (educação, saúde e demais áreas sociais). Nos anos FHC, as políticas
sociais passaram a ser tratada,
conforme descreve Iamamoto, no livro “Serviço Social em tempos de capital
fetiche”, como um dos elementos para a geração de superávits primários elevados
e crescentes para garantir o refinanciamento da dívida pública, a credibilidade
e a governabilidade em nome da estabilização da moeda. Isso foi a base da
dissociação do salário mínimo como ordenador de benefícios da previdência, da
assistência social e da desvinculação das contribuições sociais e demais
imposto que compõe a política social. A política de previdência está
ancorada no pagamento ao Instituto Nacional de Seguridade Social. E isso tudo é
o suficiente para manter todo o sistema. No entanto, o que se apresenta como o
explosivo déficit da previdência, é a desvinculação de recursos desses
orçamentos realizados pela União para compor a estratégia de pagar contas
públicas e os juros da dívida pública (superávit primário), por força dos
acordos do FMI. Além disso, a
arrecadação tributária, no Brasil, possui caráter regressivo, significando que
possui incidência maior sobre rendas menores. Prevalecem os tributos indiretos,
isto é, incidentes sobre a produção e consumo de bens e serviços em favor da
menor tributação sobre renda e a propriedade (tributos diretos), favorecendo a
sua concentração. Prevalece o
poder do capital fetiche sobre o trabalho produtivo. A especulação e a
financeirização da economia penalizam os mais pobres, favorecendo os mais
ricos, os banqueiros e os capitalistas. Daí, o cenário todo fica propício a toda
a sorte de golpismos e as maracutaias que acontecem por debaixo dos nossos
narizes. Resolver isso significa apelar para uma saída à esquerda, organizar os
setores mais combativos do progressismo, ampliar a democracia de base com
alianças dos movimentos sindicais, operários e sociais para reverter a
dicotomia entre desenvolvimento das forças produtivas e desenvolvimento social
em prol do trabalho.
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