Amanda Souza estava numa desconfortável
zona de conforto. Queixava-se da vida, mas, não buscava grandes conquistas.
Recusava o chamado à aventura. Aluna mediana na época da faculdade de
administração, agora, aos 25 anos de idade, é uma funcionária mediana de uma repartição
pública. Os dias não reservaram quaisquer surpresas para a secretária. Seu pai,
já idoso, preso a uma cadeira de rodas devido a um acidente, também, sempre foi
um empecilho que a impedia de galgar degraus mais altos na vida:
- Filha
minha não será artista. Será administradora de empresa e se dará muito bem na
vida. – Repetia o velho rabugento.
Infelizmente, a coisa não
aconteceu conforme o esperado. Passado a época da faculdade, a jovem não
encontrou emprego na área. Só restava bancar a empregada obediente, ouvir as
reclamações dos chefes, atender telefonemas e preencher relatórios.
Mesmo sendo moçoila muito bela,
sua vida amorosa estava uma lástima, afinal, a baixa auto-estima atraia somente
aproveitadores. Por fora, somente uma empregada que nunca reclamava, mas, por
dentro, uma alma desgostosa com a vida. Como se estivesse presa num casulo, seu
íntimo não possuía nenhum contato com o exterior. A vida privada dela, seus
sentimentos, emoções, dores e rancores frutificavam, ampliando-se numa
proporção assustadora e nunca que tais coisas eram comunicadas aos outros. Um
pai tirano, um emprego monótono e uma vidinha rotineira tiraram o direito à
palavra de Amanda. Sentia medo de mudar de ramo. Para remediar o desemprego
crônico, os governos de todo o mundo diminuíram a jornada de trabalho para
apenas 3 horas diárias, totalizando 15 horas semanais. Mesmo com muito tempo
livre, Amanda não sabia o que inventar ou o que fazer. Não tinha amigos. O
mundo inteiro caminhava em direção de uma rota suicida, porque a redução da
jornada de trabalho condenou populações inteiras para uma existência tediosa.
-
Quero ajuda! Preciso dar uma guinada na minha vida! Falou Amanda para um
psicólogo, Augusto Fonseca, numa tarde de terça-feira chuvosa, dia 2 de
dezembro.
- Está
preparada para a mudança? – Indagou o profissional.
- Não
sei... – Admitiu a secretária.
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