sábado, 20 de dezembro de 2014

Capítulo 1 - parte 1: Mediocridade


                Amanda Souza estava numa desconfortável zona de conforto. Queixava-se da vida, mas, não buscava grandes conquistas. Recusava o chamado à aventura. Aluna mediana na época da faculdade de administração, agora, aos 25 anos de idade, é uma funcionária mediana de uma repartição pública. Os dias não reservaram quaisquer surpresas para a secretária. Seu pai, já idoso, preso a uma cadeira de rodas devido a um acidente, também, sempre foi um empecilho que a impedia de galgar degraus mais altos na vida:
- Filha minha não será artista. Será administradora de empresa e se dará muito bem na vida. – Repetia o velho rabugento.
                Infelizmente, a coisa não aconteceu conforme o esperado. Passado a época da faculdade, a jovem não encontrou emprego na área. Só restava bancar a empregada obediente, ouvir as reclamações dos chefes, atender telefonemas e preencher relatórios.
                Mesmo sendo moçoila muito bela, sua vida amorosa estava uma lástima, afinal, a baixa auto-estima atraia somente aproveitadores. Por fora, somente uma empregada que nunca reclamava, mas, por dentro, uma alma desgostosa com a vida. Como se estivesse presa num casulo, seu íntimo não possuía nenhum contato com o exterior. A vida privada dela, seus sentimentos, emoções, dores e rancores frutificavam, ampliando-se numa proporção assustadora e nunca que tais coisas eram comunicadas aos outros. Um pai tirano, um emprego monótono e uma vidinha rotineira tiraram o direito à palavra de Amanda. Sentia medo de mudar de ramo. Para remediar o desemprego crônico, os governos de todo o mundo diminuíram a jornada de trabalho para apenas 3 horas diárias, totalizando 15 horas semanais. Mesmo com muito tempo livre, Amanda não sabia o que inventar ou o que fazer. Não tinha amigos. O mundo inteiro caminhava em direção de uma rota suicida, porque a redução da jornada de trabalho condenou populações inteiras para uma existência tediosa.
- Quero ajuda! Preciso dar uma guinada na minha vida! Falou Amanda para um psicólogo, Augusto Fonseca, numa tarde de terça-feira chuvosa, dia 2 de dezembro.
- Está preparada para a mudança? – Indagou o profissional.
- Não sei... – Admitiu a secretária.

                

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