domingo, 14 de dezembro de 2014

Onírico

Vou dar um tempo nas postagens da série "viva e deixe viver" para escrever capítulos de um livro no qual tenho interesse em produzir:

Prefácio:


            E se estudássemos e trabalhássemos menos, em condições mais humanas, o que faríamos nos nossos tempos livres? O “negócio” antagoniza e nega o “ócio”, submete o indivíduo ao imperativo da acumulação, ao trabalho feito em troca do assalariamento e à produção compulsória. O capital deu um caráter cosmopolita para a produção industrial, uniu o globo todo, tirou o caráter nacional da fábrica e humanizou o mundo, outrora, selvagem e dominado pelas forças cegas do meio natural. Ao menos, é isso que dizem os apologistas do capital. Mas, então, o que é humanizar o mundo? Há espaço para a criatividade, a força imaginativa, a sensibilidade, o afeto e a emoção num mundo construído pela fria racionalidade da ciência, da lógica e dos ditames categóricos do progresso do capitalismo enquanto fim último do todo? Nega-se a experiência sensível, a cultura local e ricas individualidades são sufocadas pela escolarização. A sabedoria popular e o senso comum, ambos, formas de se orientar no mundo e conhecer a verdade, ao menos, superficialmente, são, de forma sistemática, ignoradas pelo conhecimento do erudito. Amanda Souza, 25 anos, secretária de uma repartição pública, insatisfeita com o emprego, não sabendo se relacionar com os rapazes, precisará encontrar, na terra do inconsistente, nos sonhos e no âmago da sua mente, a solução para a pergunta “que faremos no nosso tempo livre”? Ao invés de nos entregarmos ao caos, à balbúrdia e à delinqüência, temos que buscar maneiras de criarmos artes, ciências, expressarmos e refletirmos, enfim, humanizar verdadeiramente nosso planeta. E isso apenas pode ser encontrado fora da matéria e dentro de um acolhedor pesadelo, onde não há mais regras e a lógica não exerce qualquer influência. Porque somente nesse cenário alternativo, onde tudo é possível e a realidade é uma fantasia, podemos nos encontrar como somos de verdade, encararmos nossos desejos e nossos traumas. Vamos lá?      

Um comentário:

  1. Adoro ler, principalmente histórias que ainda estão sendo organizadas antes de ser publicada, acho que tem mais emoção, hehehe

    Adorei o prefasio e já me deixou com curiosidade pra ler!! Sem duvidas eu vou voltar pra ler.

    bombrildoce.blogspot.com

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