segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Carta aberta a Gustavo Ioschpe:
 Caro Sr. Ioschpe:

Aquele aluno que estuda com afinco pode acabar numa função profissional que não goste. Karl Marx afirmava que há um "exército industrial de reserva", um número de pessoas que excede a capacidade capitalista. Estas ficam desempregadas, são "sobrantes". Não há muita prática nas aulas.  Ainda que um estudante admire uma profissão, não significa que ele tenha talento para ela. Muitos agrônomos acabam atuando como vendedores de agrotóxicos, arquitetos fazem mais reforma do que projetos, fotógrafos registram mais imagens para cardápios do que para editoriais de moda, engenheiros apenas constroem planilhas. Você, caro Ioschpe, é contra a ideologização, correto? Fala da necessidade de um currículo sem viés progressista. Responda: por que precisamos aprender sobre princípios da ecologia, por exemplo?  Aposto que o significado da palavra "abiótico" nem se passa na cabeça de um cantor de sertanejo universitário e ainda, assim, ele ganha muito mais do que um professor. No entanto, todos precisamos saber sobre ecologia. Uma boa aula de educação ambiental faz com que o aluno perceba o nexo entre o desenvolvimento econômico o esgotamento de recursos naturais. Todos nós, enquanto cidadãos, temos responsabilidades para com o meio ambiente, desde o professor de ecologia, até o cantor de sertanejo universitário. Mas, isso já entra no campo do engajamento político Daí, você afirma que tudo é proselitismo... Interdisciplinaridade entre ciências humanas, sociais e exatas implica no fomento da cidadania. Nossa democracia tardia não é o melhor modelo, porque participamos da política apenas em época de eleições. Só haverá educação quando ampliarmos o nível de consciências das pessoas, participarmos da política e isso implica, necessariamente, numa escola fraterna e que acolhe a todos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário