Carta aberta a Gustavo Ioschpe:
Caro
Sr. Ioschpe:
Aquele
aluno que estuda com afinco pode acabar numa função profissional que não goste.
Karl Marx afirmava que há um "exército industrial de reserva", um
número de pessoas que excede a capacidade capitalista. Estas ficam
desempregadas, são "sobrantes". Não há muita prática nas
aulas. Ainda que um estudante admire uma profissão, não significa
que ele tenha talento para ela. Muitos agrônomos acabam atuando como vendedores
de agrotóxicos, arquitetos fazem mais reforma do que projetos, fotógrafos
registram mais imagens para cardápios do que para editoriais de moda,
engenheiros apenas constroem planilhas. Você, caro Ioschpe, é contra a
ideologização, correto? Fala da necessidade de um currículo sem viés progressista.
Responda: por que precisamos aprender sobre princípios da ecologia, por
exemplo? Aposto que o significado da
palavra "abiótico" nem se passa na cabeça de um cantor de sertanejo
universitário e ainda, assim, ele ganha muito mais do que um professor. No
entanto, todos precisamos saber sobre ecologia. Uma boa aula de educação
ambiental faz com que o aluno perceba o nexo entre o desenvolvimento econômico
o esgotamento de recursos naturais. Todos nós, enquanto cidadãos, temos
responsabilidades para com o meio ambiente, desde o professor de ecologia, até
o cantor de sertanejo universitário. Mas, isso já entra no campo do engajamento
político Daí, você afirma que tudo é proselitismo... Interdisciplinaridade
entre ciências humanas, sociais e exatas implica no fomento da cidadania. Nossa
democracia tardia não é o melhor modelo, porque participamos da política apenas
em época de eleições. Só haverá educação quando ampliarmos o nível de
consciências das pessoas, participarmos da política e isso implica, necessariamente,
numa escola fraterna e que acolhe a todos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário