Nesse ano
de 2014, fiz um semestre de serviço social na FURB. Encontrei, na faculdade, acima de tudo, muito
calor humano, sorriso, acolhimento e amizade. Mas, apenar disso, por exemplo,
os professores, mesmo possuindo boa qualificação e explicarem bem, não vão além
da obsolescência do tradicionalismo pedagógico, o velho método de texto,
avaliação, prova e apresentação de trabalhos. Como é sabido por todos que o
conhecimento não pode ser quantificado, como proceder quanto a avaliar
corretamente um aluno? A FURB precisa sofrer uma inversão institucional, ou
seja, apostar no valor da convivencialidade. Pode haver uma rede de cooperação
para atender demandas comunitárias. Senão vejamos um exemplo: Blumenau precisa
de a)saneamento b)moradia c)empregos d)desenvolvimento econômico. Numa aula
convencional, ensina-se: a)tratamento de água (engenharia ambiental)
b)princípios matemáticos aplicados à engenharia (engenharia civil) c)políticas
para a geração de emprego (serviço social) d)empreendedorismo para o fomento da
cultura empresarial e crescimento econômico (curso de economia). Conforme
explicitado, a prática está dissociada da teoria. Assim, a rede de cooperação
da FURB pode funcionar da seguinte forma: ao invés de aulas convencionais,
boletins, notas e avaliações, os estudantes poderiam passar por um teste de
identificação de aptidões (o eneagrama é um bom exemplo) para colocar cada
estudante recém-chegado no curso certo. Os estudantes ficaram o dia todo nas
empresas conveniadas com a FURB aprendendo práticas profissionais que se
articulassem com as disciplinas. Assim, o os assistentes sociais e professores
do Estado e empresas conveniadas com a FURB podem mencionar como a consolidação
do capitalismo exigiu a criação da categoria profissional do serviço social
(tema do primeiro semestre do curso de serviço social). A partir disso, os
estudantes assimilariam a teoria e, a partir da compreensão dos mecanismos
excludentes do capitalismo, aprenderiam, na prática, nos locais de trabalho, como
se elabora políticas públicas para o fomento do emprego. O ideal seria
compreender sobre a consolidação dos mecanismos excludentes capitalistas numa
manhã e, de tarde, visitar esferas estaduais que fomentam política pública para
a geração de emprego. Cabe a FURB intermediar contatos entre a empresa ou o
Estado e o estudante/trabalhador. Toda uma cultura política seria reinventada,
porque os estudantes fariam pesquisa, no contra-turno da rotina profissional,
fomentando a disseminação de artigos críticos em relação à consolidação do
capitalismo e o papel das políticas públicas na geração de emprego. Os
estudantes passariam o dia todo aprendendo e trabalhando ao invés de assistirem
aula. Conforme a sociedade adquire nova vida política e a economia se dinamiza,
é criada a demanda por saneamento e nesse caso, entra o tema de tratamento de
efluentes do curso de engenharia ambiental, além da demanda por moradia
(engenheiro civil) e fomento de empreendedorismo (curso de ciências
econômicas). Uma “lista” de demanda comunitária e como os agentes econômicos
(empresas e órgãos públicos) podem atender estas virariam o tema das aulas. Os alunos
iriam visitar todas as possibilidades de trabalho que o curso oferece, conforme
iam avançando na aprendizagem e nos temas das disciplinas. A visita a
escritórios, fábricas e repartições públicas que oferecem oportunidade de
emprego resultaria em projetos interdisciplinares. Um estudante de engenharia,
por exemplo, poderia contar com a ajuda de um assistente social para entender o
processo burocrático por trás da aquisição de uma moradia popular promovida por
uma política pública e todos, dentro de suas competências, trabalhariam para o
bem da sociedade. Não haverá mais divisão de tarefas, mas, sim, troca de
tarefas feitas de maneira comunal. O trabalho assumirá sua verdadeira vocação
ontológica, será libertador, possibilitará a emancipação, prazer e
contentamento. Conforme os professores notariam que o aluno adquire conhecimento
através da visualização, na prática, das rotinas profissionais, um conceito
iria ser atribuído ao aluno. Um ensaio crítico sobre a necessidade de se
ampliar o tempo não dominado pelo trabalho, o tempo livre, tema da assistência
social, a eficiência do aluno em contribuir com o bom andamento do serviço numa
delegacia de proteção à mulher, outro tema do serviço social e o bom
atendimento num escritório de advocacia (competência emocional) são exemplos de
como se pode estimular a inteligência prática. Um processofólio, uma “lista” de
ações e projetos bem executados substitui a prova convencional e podem
substituir, também, o currículo tradicional, porque trata de trabalhos
realmente bem feitos e não de diplomas que para nada servem. Assim, um banco de dados responsável por
catalogar as aptidões de cada um possibilita encaminhar cada um na área
correta, depois, no final do curso.
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