quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Fazer o bem não importa a quem:


Nesse ano de 2014, fiz um semestre de serviço social na FURB.  Encontrei, na faculdade, acima de tudo, muito calor humano, sorriso, acolhimento e amizade. Mas, apenar disso, por exemplo, os professores, mesmo possuindo boa qualificação e explicarem bem, não vão além da obsolescência do tradicionalismo pedagógico, o velho método de texto, avaliação, prova e apresentação de trabalhos. Como é sabido por todos que o conhecimento não pode ser quantificado, como proceder quanto a avaliar corretamente um aluno? A FURB precisa sofrer uma inversão institucional, ou seja, apostar no valor da convivencialidade. Pode haver uma rede de cooperação para atender demandas comunitárias. Senão vejamos um exemplo: Blumenau precisa de a)saneamento b)moradia c)empregos d)desenvolvimento econômico. Numa aula convencional, ensina-se: a)tratamento de água (engenharia ambiental) b)princípios matemáticos aplicados à engenharia (engenharia civil) c)políticas para a geração de emprego (serviço social) d)empreendedorismo para o fomento da cultura empresarial e crescimento econômico (curso de economia). Conforme explicitado, a prática está dissociada da teoria. Assim, a rede de cooperação da FURB pode funcionar da seguinte forma: ao invés de aulas convencionais, boletins, notas e avaliações, os estudantes poderiam passar por um teste de identificação de aptidões (o eneagrama é um bom exemplo) para colocar cada estudante recém-chegado no curso certo. Os estudantes ficaram o dia todo nas empresas conveniadas com a FURB aprendendo práticas profissionais que se articulassem com as disciplinas. Assim, o os assistentes sociais e professores do Estado e empresas conveniadas com a FURB podem mencionar como a consolidação do capitalismo exigiu a criação da categoria profissional do serviço social (tema do primeiro semestre do curso de serviço social). A partir disso, os estudantes assimilariam a teoria e, a partir da compreensão dos mecanismos excludentes do capitalismo, aprenderiam, na prática, nos locais de trabalho, como se elabora políticas públicas para o fomento do emprego. O ideal seria compreender sobre a consolidação dos mecanismos excludentes capitalistas numa manhã e, de tarde, visitar esferas estaduais que fomentam política pública para a geração de emprego. Cabe a FURB intermediar contatos entre a empresa ou o Estado e o estudante/trabalhador. Toda uma cultura política seria reinventada, porque os estudantes fariam pesquisa, no contra-turno da rotina profissional, fomentando a disseminação de artigos críticos em relação à consolidação do capitalismo e o papel das políticas públicas na geração de emprego. Os estudantes passariam o dia todo aprendendo e trabalhando ao invés de assistirem aula. Conforme a sociedade adquire nova vida política e a economia se dinamiza, é criada a demanda por saneamento e nesse caso, entra o tema de tratamento de efluentes do curso de engenharia ambiental, além da demanda por moradia (engenheiro civil) e fomento de empreendedorismo (curso de ciências econômicas). Uma “lista” de demanda comunitária e como os agentes econômicos (empresas e órgãos públicos) podem atender estas virariam o tema das aulas. Os alunos iriam visitar todas as possibilidades de trabalho que o curso oferece, conforme iam avançando na aprendizagem e nos temas das disciplinas. A visita a escritórios, fábricas e repartições públicas que oferecem oportunidade de emprego resultaria em projetos interdisciplinares. Um estudante de engenharia, por exemplo, poderia contar com a ajuda de um assistente social para entender o processo burocrático por trás da aquisição de uma moradia popular promovida por uma política pública e todos, dentro de suas competências, trabalhariam para o bem da sociedade. Não haverá mais divisão de tarefas, mas, sim, troca de tarefas feitas de maneira comunal. O trabalho assumirá sua verdadeira vocação ontológica, será libertador, possibilitará a emancipação, prazer e contentamento. Conforme os professores notariam que o aluno adquire conhecimento através da visualização, na prática, das rotinas profissionais, um conceito iria ser atribuído ao aluno. Um ensaio crítico sobre a necessidade de se ampliar o tempo não dominado pelo trabalho, o tempo livre, tema da assistência social, a eficiência do aluno em contribuir com o bom andamento do serviço numa delegacia de proteção à mulher, outro tema do serviço social e o bom atendimento num escritório de advocacia (competência emocional) são exemplos de como se pode estimular a inteligência prática. Um processofólio, uma “lista” de ações e projetos bem executados substitui a prova convencional e podem substituir, também, o currículo tradicional, porque trata de trabalhos realmente bem feitos e não de diplomas que para nada servem.  Assim, um banco de dados responsável por catalogar as aptidões de cada um possibilita encaminhar cada um na área correta, depois, no final do curso.



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