quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Capítulo 2 – parte 1: Fracasso


                Uma leve atração em relação ao professor de filosofia era sentida por Amanda.
                Atração não fomentada da maneira correta. Laércio Botelho é, igualmente, um fracasso como Amanda... Em tudo. No triângulo amoroso, Ângelo, o mais sabido e experiente no jogo da sedução, tinha enorme vantagem.
- O grande inconveniente da vida real é que o homem superior, aquele cujos atributos superam a mediocridade dos homens medianos, genéricos e simplórios, é que as qualidades se tornam defeitos. Sempre o homem movido por instinto, pelo egoísmo ou pela rotina vulgar obtém mais sucesso do que aquele obstinado que tenta se elevar acima das banalidades. A pessoa demasiadamente correta sempre se frustra em suas expectativas – Laércio repetia para sim mesmo, em seu íntimo.
                O intelectual, enclausurado em seu majestoso castelo de marfim, papagaiando filosofias ininteligíveis para a massa inculta, não é um homem de negócios ou alguém de ação. Filosofia nunca deu dinheiro para ninguém. Somente mais um que prega no deserto as papagaiadas desinteressantes. A festa termina com Ângelo conseguindo marcar um novo encontro com a subordinada, Laércio frustrado e Amanda feliz por ter obtido êxito em sair um pouco de seu dia a dia maçante. Mas, a moça sabia que o chefe desejava apenas sexo e nada mais. O sexto sentido alertava sobre o avanço do moço. Ceder ou não?

                No sábado da mesma semana, os dois se encontraram. Conversaram. Divertiram-se à beça no cinema. A secretária, jogada na vala comum dos dilemas existenciais, ao final do encontro, teve coragem suficiente para resistir aos encantamentos do cafajeste. Sabia que uma noite de sexo selvagem iria aliviá-la momentaneamente, ao invés de tirá-la permanentemente de uma vida sem perspectiva de desenvolvimento pessoal.   

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