A instituição de um serviço, a especialização dele, faz
com que o mesmo escasseie. Assim é com a educação escolar e sua respectiva
crise nacional. Contrariando a tendência, devemos dizer “sim” às instituições
educativas que sirvam para a interação social, criativa e autônoma, valores não
passíveis de serem hierarquizados. Ivan Illich dizia que é necessário abolir a
escola e aprender com a vida. Não se espera por um currículo, mas, sim, pela
livre iniciativa de aprender. As modalidades de aprendizagem chamadas de “teias
de oportunidades” ilustram bem como a nova lógica educativa entra em jogo:
a) Serviço de consultar a objetos educacionais:
proporcionar acesso dos aprendizes a jogos, máquinas, ferramentas, tecnologias fabris
e laboratórios. Uma comunidade poderia montar um orçamento para financiar a
rede de objetos educativos ou dar, para cada cidadão, um número limitado de
créditos educativos para proporcionar acesso a materiais educativos.
b)Intercâmbio de habilidades: Esse serviço educacional
consiste na institucionalização de centros livres, abertos ao público. Estes
centros deveriam ser instaladas em áreas industriais para criar a demanda por
empregos. Uma alternativa, também, seria dar créditos educacionais para a
assimilação de habilidades fundamentais. Outros créditos iriam para quem
ensinasse, daí, somente quem partilhasse seus conhecimentos poderia receber
maiores doses dos mesmos. Testes específicos de habilidades poderiam encaminhar
cada pessoa no local de trabalho condizente com o perfil.
c)Encontro de parceiros: O candidato se identifica, dando
nome e endereço, descrevendo o tema para ser discutido com um parceiro. Um
computador lhe remeteria os nomes e endereços de todos os que tivessem dado a
mesma descrição.
d)Educadores profissionais: Profissionais requeridos para
manejar as redes descritas, orientar estudantes e demais interessados.
A partir daí, poderemos libertar todo o potencial
educativo, instigar o senso investigativo das pessoas, sua autonomia, livre
iniciativa e fazer crescer o genuíno desejo de aprender. Na próxima postagem,
falarei sobre o porquê dos ensinamentos de Illich serem tão atuais e o motivo
pelo qual o cooperativismo tem muito a ganhar ao investir no blog.
LLICH, Ivan. Sociedades sem escolas.
7 ed. Petrópolis: Vozes, 1985.
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