Escolhi o título “viva e deixe viver” nessa série de
postagens para mostrar a necessidade de se desvincular das expectativas.
Enquanto a expectativa é a crença de que algo programado e desejado nos mínimos
detalhes irá ser alcançado, a esperança é a confiança inata na bondade e que algo
de bom acontecerá naturalmente, porque este é o ciclo natural das coisas. O
nosso moderno modelo de produção industrial, seus serviços institucionalizados
e a produção sempre crescente de produtos instigada por uma demanda artificial
fomentam a expectativas dos homens. Tudo está agora, a serviço de tecnocratas e
da máquina burocrática. A realidade é a matéria-prima modelada pelo homem.
Todavia, o as forças cegas do destino fazem a vida escapar da alçada das mãos
humanas. Muitas pessoas estão infelizes em suas respectivas áreas
profissionais, temos que engolir vastas quantidades de conteúdos e erudições
desnecessárias durante a época escolar, estamos cada vez mais frustrados por
não conseguirmos comprar o último e mais moderno produto. Ninguém sabe o dia de
amanhã. Diferentemente do que aponta Illich, a solução não é abolir a escola,
mas, sim, combiná-la com outras instituições educativas como apontadas
anteriormente para gerar emprego, possibilitar o livre compartilhamento de
informações e conhecimentos, fomentar o intercâmbio de habilidades e práticas
para fazer florescer a inteligência prática e combiná-la com o currículo
escolar. A produção industrial deve ser reduzida, diminuir a jornada de
trabalho, utilizar ferramentas e instituições conviviais. Estas duas últimas
serão responsáveis pelo advento de uma nova produção em paralelo ao
industrialismo, a produção de valores de uso, coisas essenciais para a vida
humana, coisas produzidas por um livre trabalho proporcionado pelo
compartilhamento de saberes, conhecimentos e instrumentos. As cooperativas
podem ter interesse em divulgar seus produtos em meu blog porque colocar a
satisfação das necessidades humanas em detrimento do capital é, também, meu
desejo.
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