domingo, 7 de dezembro de 2014

Viva e deixe viver - parte 3:




Escolhi o título “viva e deixe viver” nessa série de postagens para mostrar a necessidade de se desvincular das expectativas. Enquanto a expectativa é a crença de que algo programado e desejado nos mínimos detalhes irá ser alcançado, a esperança é a confiança inata na bondade e que algo de bom acontecerá naturalmente, porque este é o ciclo natural das coisas. O nosso moderno modelo de produção industrial, seus serviços institucionalizados e a produção sempre crescente de produtos instigada por uma demanda artificial fomentam a expectativas dos homens. Tudo está agora, a serviço de tecnocratas e da máquina burocrática. A realidade é a matéria-prima modelada pelo homem. Todavia, o as forças cegas do destino fazem a vida escapar da alçada das mãos humanas. Muitas pessoas estão infelizes em suas respectivas áreas profissionais, temos que engolir vastas quantidades de conteúdos e erudições desnecessárias durante a época escolar, estamos cada vez mais frustrados por não conseguirmos comprar o último e mais moderno produto. Ninguém sabe o dia de amanhã. Diferentemente do que aponta Illich, a solução não é abolir a escola, mas, sim, combiná-la com outras instituições educativas como apontadas anteriormente para gerar emprego, possibilitar o livre compartilhamento de informações e conhecimentos, fomentar o intercâmbio de habilidades e práticas para fazer florescer a inteligência prática e combiná-la com o currículo escolar. A produção industrial deve ser reduzida, diminuir a jornada de trabalho, utilizar ferramentas e instituições conviviais. Estas duas últimas serão responsáveis pelo advento de uma nova produção em paralelo ao industrialismo, a produção de valores de uso, coisas essenciais para a vida humana, coisas produzidas por um livre trabalho proporcionado pelo compartilhamento de saberes, conhecimentos e instrumentos. As cooperativas podem ter interesse em divulgar seus produtos em meu blog porque colocar a satisfação das necessidades humanas em detrimento do capital é, também, meu desejo.

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