No livro “A Convivencialidade” de Ivan Illich, é exposta
uma teoria acerca dos limites naturais do crescimento da sociedade humana. As
características técnicas, necessariamente limitadas, nos meios de produção, é
que podem propiciar a viabilidade da sociedade humana. Afinal de contas, uma
sociedade que define o que é o bem com base no maior consumo de bens e serviços
mutila a autonomia do indivíduo. Em contrapartida, a sociedade convival propõe
a possibilidade de ação autônoma, criativa. Medidas simples como o saneamento,
a clorização da água, caça-mosquitos e atestados de não contaminação exigidos
são mais eficazes do que a institucionalização de serviços complexos. A
ferramenta manejável, demandadora de energia metabólica, multivalente como
serrote martelo ou o canivete, é diferente da ferramenta manipulável. Este
última demanda outras formas de energia, como o avião supersônico. Certas
instituições são naturalmente, convivais, como o telefone, porque possibilitam
o livre compartilhamento de informações. A ferramenta manejável convida ao uso
convival. Tomemos um exemplo: O código de urbanismo impõe normas para
prescrever como se constrói e, ao mesmo tempo, escasseia os alojamentos. Uma
política convival ocupar-se-ia de proporcionar material para construção civil
autônoma. Do contrário, a especialização e institucionalização escasseiam o
serviço. Urge diversificar os modos de produção. Propor leis que impõem limites
à produtividade, especialização ou o monopólio radical industrial.
LLICH, Ivan. Convivencialidade. Lisboa,
Publicações Europa-América, 1976
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