quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Viva e deixe viver - parte 1:


No livro “A Convivencialidade” de Ivan Illich, é exposta uma teoria acerca dos limites naturais do crescimento da sociedade humana. As características técnicas, necessariamente limitadas, nos meios de produção, é que podem propiciar a viabilidade da sociedade humana. Afinal de contas, uma sociedade que define o que é o bem com base no maior consumo de bens e serviços mutila a autonomia do indivíduo. Em contrapartida, a sociedade convival propõe a possibilidade de ação autônoma, criativa. Medidas simples como o saneamento, a clorização da água, caça-mosquitos e atestados de não contaminação exigidos são mais eficazes do que a institucionalização de serviços complexos. A ferramenta manejável, demandadora de energia metabólica, multivalente como serrote martelo ou o canivete, é diferente da ferramenta manipulável. Este última demanda outras formas de energia, como o avião supersônico. Certas instituições são naturalmente, convivais, como o telefone, porque possibilitam o livre compartilhamento de informações. A ferramenta manejável convida ao uso convival. Tomemos um exemplo: O código de urbanismo impõe normas para prescrever como se constrói e, ao mesmo tempo, escasseia os alojamentos. Uma política convival ocupar-se-ia de proporcionar material para construção civil autônoma. Do contrário, a especialização e institucionalização escasseiam o serviço. Urge diversificar os modos de produção. Propor leis que impõem limites à produtividade, especialização ou o monopólio radical industrial.

LLICH, Ivan. Convivencialidade. Lisboa, Publicações Europa-América, 1976 

Nenhum comentário:

Postar um comentário